um dia para viver o luto.

Papai,

Eu não queimo velas, não levo flores, não me debruço mais sobre seu túmulo enquanto choro, não questiono os porquês de logo você não existir por aqui.

Eu vivo o luto deste dia, quietinha em casa, enquanto lembro o quanto você desejava o meu sucesso, rememoro sua voz dizendo que eu devia ser perseverança. E que se tenho um sonho intrínseco a isso vem o verbo lutar. Então eu luto.

Todos os anos depois que você se foi são de levantamento, de calcular o quanto caminhei e o quanto ainda falta, de anotar as conquistas que certamente nos deixaria radiantes, de pensar que a vida é possibilidade e que não se desiste tão fácil dela.

Eu uso esse dia para lembrar com carinho do homem que foi, do quanto tenho você em mim, na minha sensibilidade, no meu coração, na minha amabilidade, no cuidado com outro, na resistência, no caminhar dia a dia respeitando o meu tempo e espaço. Eu uso esse dia para agradecer por todas as marcas benevolentes que deixou.

A vida continua depois da eminência da morte. A vida ainda é possível. E ainda que as vezes a saudade perpetue, os passos não devem ser paralisados.

Parece uma utopia viver o luto de forma tão atípica, mas ainda assim prefiro sorrir ao pensar em você.

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