dia mau.

estou tomada por uma exaustão e desesperança, me sinto incapaz de existir, sequer levanto da cama, me debruço sobre a dor e choro. entre soluços e desordem rememoro com enfado a sujeira que deixou sobre o meu corpo, vou para o banho na ânsia de remover toda a culpa, mas a água não perpassa a alma.

sinto meu corpo expelir a angústia, a repulsa e o descontentamento, ainda em pranto me desespero e me perco em um arsenal de lembranças inescrupulosas. jogada no chão, enquanto a água cai, imploro que meus órgãos deixem de produzir vida, tapo a respiração e desisto, em instantes retomo o ar e percebo que eu ainda existo.

Refuto a dor, volto para cama, sinto a soturnidade de cada memória, minha alma se apavora, enfraqueço e desfaleço na ânsia de esquecer o que corrói meu pensamento.

estou exausta, entupida de ansiolíticos, mas quanto mais durmo, mais cansada eu fico, o cansaço estrapola meus limites físicos, vai além do que se enxerga e pode resolver dormindo.

 

amanhece, me levanto e recomeço,

respiro e sinto o ar passar entre os nós da minha garganta

mas, continuo.

 

Fora do meu quarto eu exerço de uma força que até eu desconheço, eu luto pela minha sobrevivência e eu sei que um dia a existência pesará menos para mim.

eu sigo em frente.

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